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Benéfico ou maléfico – A tendência dos serviços de streaming

Constantemente aqui no Linux Centro falamos dos serviços de streaming, sua ascensão e analisamos novas opções. Esse mercado está tomando uma grande proporção e investimento em peso, a ponto de fazerem empresas como o Vimeo, desistirem de tentar concorrer.

Mas até onde realmente podemos considerar como concorrência benéfica para o consumidor?

Essa semana a Disney anunciou que criará seu próprio serviço de streaming por assinatura, o qual deve ser posto no mercado até 2019. O serviço reunirá os conteúdos pertencentes a Walt Disney, tais como Marvel, Lucas Arts, Pixar, Walt Disney Animations, Walt Disney Pictures e assim por diante. Além disso a empresa também investirá em conteúdos exclusivos para o serviço, com promessas que nos remetem a séries e filmes exclusivos, além de curtas.

Até aí, podemos ver como um belo cenário, com mais uma gigante investindo em grande conteúdo para um sistema de assinatura, que o usuário paga menos que na TV por assinatura, acessa de onde estiver e cancelar a qualquer momento, mas é ao começarmos a pensar em detalhes e no futuro que começamos a nos preocupar.

Criar seu próprio serviço, levou a decisão de não renovação com a Netflix, em poucas palavras, você não verá mais conteúdo da Disney na Netflix após 2019, da mesma forma que ocorre com a HBO, as produções dela não são disponibilizadas para a Netflix, sendo exclusivo para assinantes dos canais HBO ou do serviço de assinatura da empresa, o HBO Now.

E não para por aí, outras e outras gigantes do ramo vem mostrando interesse de montar seu próprio serviço por assinatura, ao invés de licenciar seu conteúdo para opções como Netflix, Amazon Prime e Looke. A Globo tomou a mesma decisão apesar de não ter impedido que todo o seu conteúdo fosse licenciado para terceiros, muito dele só pode ser consumido nos canais da GloboSat ou no GloboPlay, outro exemplo é a Fox e a Sony, com o Fox Play e o Crackle.

Algumas das subsidiárias da Disney

A Netflix já previa esse cenário e vem antecipando-se, investindo cada vez mais pesado em produções próprias e grande variedade de conteúdo exclusivo, para depender cada vez menos dos conteúdos licenciados.

Sabendo desses exemplos, nos vem o seguinte cenário, com as empresa optando por entregar seu conteúdo apenas em seus próprios serviços, cobrando suas próprias assinaturas, o consumidor terá que assinar mais de um serviço de streaming para poder consumir diferentes conteúdos, pagar apenas uma assinatura e consumir tudo que deseja, tende deixar de existir, para entrarmos em um cenário em que o consumidor deverá assinar cada um dos serviços, referentes aos conteúdos ou empresas que deseja.

Em uma rápida comparação, que ajudará a vos colocar no cenário que temos em mente, os serviços de streaming passarão a ser os novos canais da TV por assinatura, e você terá que assinar cada um deles separadamente, Disney, Fox, Netflix, HBO e assim por diante.

Como tudo na vida, temos dois lados na balança, no cenário positivo, o usuário não precisa mais assinar pacotes pré fixados pelas operadoras, e assina apenas e unicamente os serviços que deseja, tem controle do conteúdo que quer assistir, quando quer assistir e vive feliz com seus vídeos sobre demanda.

Mas no cenário negativo, o consumidor passa a pagar muito mais caro para ter acesso ao total de conteúdo desejado, as assinaturas dos serviços de streaming são convidativos quando falamos de um ou dois, se falarmos de um para cada série ou programação que gostamos, passamos rapidamente para altos valores, são 35 reais para HBO Now, 32 para Netflix, 35 para Amazon Prime…

Imagine, ter que pagar uma média de 30 reais para cada produtora de conteúdo que resolva fechar-se para seu próprio serviço? Para quem quer apenas um conteúdo específico, não é algo problemático, mas para quem optou em diminuir ou até sair da TV por assinatura, substituindo por um Netflix, acabaria vendo o custo sendo elevado muito aquém do modelo tradicional.

Claro que continuamos falando de uma experiência de maior controle ao usuário, mas no quesito custo, isso tornaria-se um pequenino monstro para os consumidores e em pouco tempo o usuário estaria de volta a mão das operadoras, que ao invés da TV por assinatura com internet, passaria a oferecer pacotes de serviços de streaming com a internet, afinal, já temos o Oi Play nesse modelo.

Diante de tudo isso, caro leitor, será que não estamos fortalecendo uma tendência dos serviços de vídeos por assinatura, tomarem o mesmo rumo da TV por assinatura tradicional, usando a tendência tecnológica do usuário ter o controle do que assistir, para cobrar valores bem maiores dos que os já alvos de reclamações para com o modelo tradicional de TV paga?

Este é mais um artigo do Linux Centro, que busca uma reflexão sobre assuntos atuais da tecnologia, você é livre para criar uma saudável discussão com base nele e dar sua opinião, para isso você conta com nosso espaço de comentários, nossa comunidade no Google Plus e nossa fanpage no Facebook.

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