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As Fintechs e o futuro do mercado financeiro no Brasil

Lá pelo fim da década de 80, o Brasil passava por um período de alta na inflação e a população vivia à mercê de inúmeros planos econômicos que deixavam muita gente sem dormir. Mas, como diz o ditado “depois de toda a tormenta vem a bonança”, a chegada do Plano Real trouxe alívio e as pessoas conseguiram ter de volta o direito de ir às compras sem peso na consciência.

No entanto, alguns anos depois, veio a temida crise financeira iniciada em 2008 e que atingiu boa parte dos países em todo o mundo, inclusive o Brasil. A recessão dava as caras novamente e as altas taxas de juros, assim como os preços altos, voltaram a assombrar o bolso de muita gente. Foi a partir desse acontecimento que uma palavra começou a se tornar conhecida do grande público: fintechs.

Para quem ainda não está familiarizado, o termo vem da junção das palavras de origem inglesa financial(financeiro) e technology (tecnologia). Esse é o nome usado para descrever empresas que prestam serviços financeiros e têm a tecnologia como o seu grande diferencial. A maioria, inclusive, tem o atendimento totalmente digital, seja via computador ou smartphone, sem nenhum entrave e com bastante agilidade.

No Brasil, as fintechs surgiram, em particular, como uma opção para quem não desejava pagar as altas taxas cobradas pelos bancos e procurava ter novamente acesso ao crédito, como também para quem não queria enfrentar a burocracia comum em grande parte das instituições financeiras.

Diferentemente do que grande parte da população está acostumada a ver nos bancos tradicionais, (os intermináveis processos burocráticos), as fintechs trazem a inovação como alma do negócios e mais: surgiram para mudar não só a maneira como as pessoas passaram a perceber mais atentamente a administração de suas finanças, como também quebraram o paradigma de serviços que, até então, eram exclusivamente rotinas do dia a dia bancário.

Se anos atrás era normal ver os bancos com filas intermináveis, hoje, é só dar alguns cliques no próprio aparelho celular para ter acesso a cartões de crédito, contas bancárias, pagamento de boletos, depósitos, aumento de limite e até mesmo ter acesso a transferências e investimentos.

No entanto, para quem acha que o boom das fintechs já passou, um levantamento divulgado em novembro de 2017 pelo Radar FintechLab, hub para conexão e fomento do ecossistema de fintechs aqui no país, o número de empresas atuando nesse segmento no Brasil passou de 244 para 332, um crescimento de 36%.

Já outro estudo também realizado pelo FintechLab aponta que as principais áreas de atuação das fintechs brasileiras são meios de pagamento (32%) e gestão financeira (18%). E a perspectiva de crescimento e de volume de negócios também chama, e muito, a atenção. Segundo estimativas do banco norte-americano Goldman Sachs, nos próximos dez anos, as empresas de tecnologia financeira no Brasil devem gerar uma receita próxima de US$ 24 bilhões.

É indiscutível que as soluções trazidas pelas fintechs facilitaram (e facilitam) a vida financeira dos brasileiros. E o impacto desse modelo de administração financeira continuará crescendo nos próximos anos. O foco deverá continuar na experiência oferecida ao usuário (afinal, as fintechs estão atreladas à facilidade, logo, o atendimento precisa estar sempre alinhado, personalizado e prestando informações acessíveis e transparentes).

Sem contar o número de empregos gerados por empresas desse segmento. E a busca por profissionais capacitados (seja da área de TI, finanças, comunicação, RH e administração, entre outras) deve aumentar ainda mais em 2018. Ou seja, não é porque a inovação é a sua característica principal que o atendimento será mecânico ou impessoal. Ele é feito e desenvolvido por pessoas que procuram solucionar os problemas e satisfazer os clientes.

Os desafios, assim como em outros setores da economia brasileira, ainda são muitos. Como se pode perceber, as fintechs trouxeram e trarão não só inovações para o mercado, como também irão continuar gerando impacto no modo como as pessoas controlam as suas finanças.

E, nesse contexto, uma coisa é certa: o futuro e a economia digital andam lado a lado para fortalecer e facilitar ainda mais a vida financeira dos brasileiros, bem como contribuem para a continuidade da inclusão digital de quem ainda não tem acesso aos serviços bancarizados.

Matéria de Victor Farias – CEO do pag!

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