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O Linux estava certo e a Microsoft percebeu

Não é muito difícil vermos pessoas que, ou por não gostar, ou por não terem contato, rotularem as distribuições Linux de diferentes formas.

São rótulos totalmente relacionados ao senso comum e que não fazem real avalia do ecossistema dessas distribuições, tais como afirmativas que distribuições Linux são dependentes de seu terminal, que é necessário ser expert ou usar de linhas de comando para instalar um programa ou atualizar um drive e até mesmo, talvez uma das mais populares, que o Linux não possui programas.

Bem, é necessário desmistificar todo este universo, todas estas afirmativas são equivocadas e fora da realidade.

A falsa crença de que faltam aplicações para as distros Linux, é ocasionada por uma dependência de determinada marca. Hoje em dia, grandes nomes e marcas estão presentes, mas obviamente existem produtos específicos que não possuem seu par, são ecossistemas diferentes e que possuem suas “exclusividades” em softwares. Quem precisa de um determinado software e não uma marca, encontrará N opções, às vezes até mais eficientes, para as atividades que procuram.

É como irmos ao mercado comprar sabão em pó e encontrarmos um gigantesco corredor para ele, porém ao não vermos a marca OMO, falarmos que o supermercado não possui sabão em pó…

Sobre o terminal, distribuições Linux já não mais dependem do uso de terminal, é comum você achar um tutorial ou dica que ensine o uso de linha de comando, simplesmente por ser prático seu uso e de certa forma, padronizado.

Porém, distribuições como o Ubuntu, Linux Mint, Deepin e assim por diante, possuem todo o controle de suas principais funções de forma gráfica e de forma bem simples.

Por falar em simples, é importante destacar que já faz alguns anos que as distribuições Linux são mais simples e fáceis de serem utilizadas do que o Windows, loja de aplicativos já é um conceito antigo entre elas, suas interfaces costumam ser amigáveis e possuem o estilo e padrão que melhor atendem às suas necessidades ou costumes, já faz tempo que muitas opções, possuem controle gráfico, antes mesmo de existirem no Windows.

E falando em Windows, talvez ele seja o ápice da amostra de como as distribuições Linux caminharam no sentido correto, de uns tempos para cá, basicamente todas as novidades do Windows 10 são recursos que já são comuns no Linux.

Essa semana a Microsoft destacou seu Microsoft Terminal, sua chegada ganhou até um vídeo de 50 segundos para mostrar suas funcionalidades, que incluem um modo de abas, também tão comum nas distros. É interessante a Microsoft usar como um importante recurso e destaque para sua nova atualização do Windows, uma ferramenta que costuma ser usada como crítica, indevida, ao Linux.

Isso mostra que talvez o erro das empresas e comunidades que são tão envolvidas e preocupadas com o Linux para desktop, tenha sido em não ter dado grande foco na publicidade. Talvez se empresas como Canonical, uma referência neste mundo, tivesse dado mais atenção para o investimento em marketing, o Ubuntu não seria apenas a mais relevante distribuição Linux (Me refiro aos seus mais de 20 milhões de usuários e não ser ou não melhor que outra opção), como também um sistema operacional mais “incômodo” para a Microsoft, tal qual o Chrome OS tem se tornado, a ponto da Microsoft estar preocupada em emplacar um concorrrente para ele (Falaremos sobre essa disputa em outro artigo).

Outras novidades que tem apontado no Windows 10 nos últimos tempos, reforçam a minha idéia de como as distribuições Linux estão no caminho correto, como a função de espaços de trabalho que o Windows 10 trouxe (com alguns pontos falhos) e já eram extremamente usadas no Linux e até a recente função em teste, onde os resultados da pesquisa de arquivos no Explorer, vão surgindo em tempo real. Isto já ocorre no Nautilus faz muito tempo, porém, quando vimos grandes comerciais ou apresentações sobre ela?

É interessante que para a maioria dos usuários de distros Linux, todos estes recursos passam desapercebido, é comum termos a sensação que não temos grandes novidades e que a evolução tem sido pequena, mas enquanto isso, a Microsoft está fazendo comerciais e apresentações sobre estes recursos.

Se você leu até aqui e acha que este artigo tem a intenção de criticar o Windows, a Microsoft ou reclamar dos recursos inspirados no desktop Linux, estás muito enganado, não vejo qualquer problema na Microsoft mostrar-se preocupada em melhorar seu sistema e levar excelentes funcionalidades vistas em outros lugares para dentro do seu sistema, essa é a natureza da concorrência e evolução de um software, trazer o que pode melhorar seu uso.

Na verdade, este artigo fora criado para mostrar o quão injustiçado as distribuições Linux foram, recebendo rótulos que não as cabem. Da mesma forma que foram, de certa forma, negligenciadas por empresas que deveriam ter sido mais agressivas e fazer como a Google, que popularizou dois sistemas baseados no Kernel Linux (Android e Chrome OS – este último uma derivação do Gentoo) e até tornou um deles, o principal sistema mobile.

A Microsoft evidenciou que as distribuições Linux foram pelo caminho certo e talvez seja este o motivo que seu market share tenha subido para algo em torno de 3% á 4% nos últimos anos, segundo o W3Counter. Porém, este que vos escreve não acredita que elas um dia serão um concorrente de peso para o Windows, terão sempre seu espaço e público, afinal uma média de 160 milhões de usuários, não é um mercado a se desprezar ( A conta aqui é calculada na estimativa de 4 bilhões de usuários de internet x 4% de usuários Linux).

Mas comentários de deboche, referente ao “dia do linux” evidenciam apenas um preconceito ou ódio desnecessário, o dia do Linux é basicamente todo o dia. Isso porque o Linux não é somente a distribuição em um notebook ou desktop, ele é um kernel que está presente em 80% dos dispositivos mobiles, ele está presente em praticamente todas as Smart TV’s (Os principais sistemas da área, Tizen, WebOS e Android TV são baseados no Kernel Linux), sua liderança em servidores também é uma constante, super computadores e a nova geração da IOT, onde até a própria Microsoft, optou por usar o Linux como produto.

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