Categorias: Analise Linux

Nossa experiência com o Radix

Já faz algum tempo que um dos nossos leitores, Raul Dipeas, nos pediu para fazer um review da distribuição Radix, projeto feito por ele e de cunho brasileiro.

O Radix é baseado no Ubuntu e seus dois principais diferenciais ficam para o XFCE altamente personalizado e o uso do Kernel Liquorix, uma modificação do Kernel Linux com foco na baixa latência.

Sobre o Radix

O projeto possui um hotsite de boa apresentação, o domínio usado pode causar certo espanto (rf.gd), mas essa terminação faz parte dos domínios entregues pela InfinityFree, uma empresa de hospedagem com propostas de planos gratuitos. Para entregar a ISO do sistema, recentemente o projeto passou a exigir que o usuário crie uma conta no Mobilize.io, participando desta forma da comunidade do Radix. Conforme informado pelo Dipeas aos atuais membros, a necessidade de entrar para a comunidade, para baixar o sistema, tem como principal intuito contabilizar os usuários do sistema.

Ainda acompanhando as postagens da comunidade do sistema, também verificamos que o nome, apesar de ser baseado no nome do criador, tem como principal foco o termo “Raiz”, por esta razão, o símbolo do Radix é uma cenoura.

A Instalação

Colocado o Radix em um USB ou DVD, ele automaticamente inicia-se em modo live USB, tendo um grande atalho logo na tela inicial para o usuário efetuar a instalação.

Basta um único clique para ser levado ao instalador que é o Ubiquity da Canonical, ou seja, a instalação é simples e prática como a do Ubuntu tradicional, contendo apenas a tela para seleção do idioma, se deseja criptografar o HD, criação do usuário e escolha do horário e região do sistema. Depois destes rápidos passos que resumem-se a clicar em um ou dois botões, a instalação corre automaticamente, tendo apenas que aguardar.

O primeiro uso

Após a instalação, o Radix apresenta de imediato uma tela de boas vindas, com atalhos para o Timeshift (criação de ponto de restauração) e para o gerenciador de drivers e atualizações do Ubuntu. Existem também atalhos para sites, grupos e suporte da distribuição.

Se o sistema já estava pronto para uso anteriormente, após o breve guia de apresentação, dificilmente o usuário encontrará alguma dificuldade ou restrição de uso, o Radix realmente se apresenta como um sistema pronto após a instalação.

Outro ponto que percebemos fora a escolha de utilização de várias PPAs, talvez subir todas as modificações e personalizações do Radix para um repositório próprio do projeto, fosse mais fácil não somente mantê-lo, como garantir a segurança e estabilidade do sistema.

Aplicações

O conjunto de aplicações é bem vasto tendo já de fábrica o Sublime, Google Chrome, Mailspring, Dukto, Pushbullets, Dropbox e assim por diante. A única ressalva fica para a decisão do projeto de manter o Stacer e o Gnome Usage, ambos fornecem as mesmas informações, mas o Stacer é mais vasto e poderia ser mantido como opção de monitor de recursos, essas duplicidades de software tendem apenas a aumentar o tamanho da ISO. No entanto, isso não é algo impactante e ainda pode ser uma boa opção para quem quer ou prefere um sistema que não precise de internet na primeira utilização para instalar softwares corriqueiros do dia a dia.

O visual

O sistema aposta no uso do tema Arc em conjunto com os ícones Papirus, uma excelente escolha visual, visto que estes dois estão entre os mais belos disponíveis para os ambientes gráficos do Linux.

Fechada a tela de boas vindas o usuário tem a sua disposição uma área de trabalho similar ao MacOS, com o Plank Dock na parte inferior, a barra do XFCE no topo, com o menu de aplicativos e até o respectivo menu de arquivos, fotos e documentos, encontrado na barra do MacOS.

Outro ponto que não utilizaríamos é o painel lateral que fora colocado em modo transparente apenas para manter um widget com informações de rede, cpu e memória do sistema. Novamente com a opção de trazer o robusto Stacer com opção pré-instalada, o Radix poderia priorizar a interface mais clean, mantendo apenas seu Dock e barra superior.

Central de aplicativos

O Radix utiliza como loja de aplicativos o “Software” do projeto Gnome, portanto dispensa comentários sobre sua beleza e capacidade funcional.

Infelizmente o projeto não traz habilitado o suporte a Snaps na loja, como ocorre no Ubuntu, deixando de fora a possibilidade de rápida e segura instalação de softwares como o navegador Opera, o Spotify, Visual Studio Code e muitos outros que já são fornecidos no formato universal promovido pela Canonical.

É interessante que os desenvolvedores optaram por trazer um pequeno software chamado de “Radix After Install” que traz a possibilidade de instalação de muitas aplicações já disponibilizadas por Snap ou Flatpak, ou seja, suportar esses formatos nativamente, pouparia o esforço dos envolvidos nesse script de instalação e teriam mais tempo para outros detalhes do sistema.

Ao fim, o Radix mostra-se uma opção interessante e bonita para quem quer usar o XFCE já pronto e robusto, visto que este é um dos ambientes gráficos mais personalizáveis que existe, mas também um dos que acaba por mais exigir tempo de forma a ficar com o visual apresentado no Radix.

O projeto está em seu início e tem propostas similares ao Linux Mint quando iniciou, resta acompanharmos para ver se os desenvolvedores vão continuar evoluindo e melhorando o que fora apresentado para a comunidade.

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