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Os 13 anos do Ubuntu

Neste mês de outubro o Ubuntu comemorou 13 anos de vida, a data não passou despercebida, principalmente devido ao atual momento da distribuição Linux de maior popularidade no mundo.

O que enaltece os 13 anos desde o primeiro lançamento é a atual mudança no projeto, apesar de algumas terem sido recebidas com tristeza e representam, de certa forma, um passo para trás, outras agradaram o público.

A Canonical optou por deixar o Unity e fez a maior mudança desde a adoção de seu próprio ambiente gráfico, voltar para o Gnome. Mas isso não precisa ser visto com maus olhos, apesar da desistência no mundo mobile e da convergência, por outro lado a distro voltou a dar total atenção para seus usuários e trabalhar mais atenta com a comunidade.

O ambiente agora é o Gnome, mas com mudanças comportamentais, que foram solicitadas pelos usuários em diversas pesquisas que a Canonical foi disponibilizando ao longo do desenvolvimento, você consegue ver nossa análise sobre esse novo momento da distro, nessa nossa matéria.

Mas ao longo desses 13 anos, você conhece tudo que o Ubuntu passou, como evoluiu e contribuiu para com o ecossistema? Sabe quais foram alguns dos principais momentos de sua trajetória que fizeram com que fosse apontado por um bom tempo, como a melhor distribuição Linux e ter tanta relevância em seu nome?

Nós do Linux Centro, montamos uma interessante timeline, destacando alguns dos lançamentos que consideramos que tiveram um grande marco, seja pelo que trouxeram de novidade, seja por marcarem um momento de grande importância.

A trajetória do Ubuntu e Canonical

Ao longo desses 13 anos, o Ubuntu nasceu como uma remasterização do Debian (para logo depois adotar seus próprios repositórios e distanciar-se de sua distro mãe, mas sempre tendo ela como base), seu foco sempre fora ser uma distribuição Linux amigável, focada no usuário, simples de usar, mas sem deixar de servir também o usuário mais hard.

A primeira versão do Ubuntu, 4.10 Warty Warthog

O primeiro lançamento da distribuição, ocorreu em 20 de outubro de 2004, o suporte proposto era de 18 meses, com lançamentos programados a cada 06 meses. A versão numerada de 4.10, ou com o codinome de Warty Warthog, marcava a chegada da Canonical com a distribuição e envio de CDs de instalação gratuitos, o usuário de qualquer parte do mundo, podia requisitar o CD de instalação e recebê-lo em sua casa de forma gratuita.

Nos lançamentos subsequentes a Canonical mostrava estar disposta a construir um sistema operacional robusto e eficiente, com o apoio da constante evolução da comunidade do Kernel Linux e Gnome, além de outros softwares embarcados, o Ubuntu apresentava constantes novidades a cada versão que chegava para o usuário. Era notório o quão rápido o sistema estava evoluindo, não só no refinamento do que já possuía, como em novas funcionalidades e suportes.

O Ambiance era apresentado na 10.04 LTS

A LTS 10.04 talvez tenha sido uma das mais importantes, muitos dos usuários do Ubuntu relatam terem começado por ela, isso porque o sistema chegava em sua décima segunda versão e terceira LTS com excelente estabilidade, maturidade e funcionalidade. É interessante também destacar nesse lançamento, a polêmica de 2010, o tema oficial da distribuição da Canonical era o Human, com forte uso do marrom e branco, a 10.04 apresentava o Ambiance para a comunidade, um tema com maior predominância no preto e com a proposta de ter um visual mais “light”.

Apesar de ser usado até hoje, na época a Canonical foi acusada de estar perdendo a essência do Ubuntu, deixando as cores que o representavam para trás e indo para um visual que parecia ser inspirado no MacOS da Apple.

A chegada do Unity na 11.04

Mas a Canonical parece que estava disposta a continuar “causando” polêmicas e apresentando novidades diferentes, que segundo alguns, a distanciava da comunidade Linux. Ao menos foi o que aconteceu em 2011, um ano após o assunto do tema, agora a Canonical apresentava o Unity, um ambiente gráfico próprio que iria substituir o Gnome.

Muitos devem lembrar que a Canonical foi duramente criticada, diversos usuários resolveram abandonar a distro e foi nesse momento que outros ganharam maior relevância, como o Linux Mint, que aproveitava para apresentar sua proposta com o Mate e Cinnamon, ambientes gráficos que tornaram-se muito relevantes com o passar do tempo.

Apesar disso a Canonical continuou apostando no Unity e nos lançamentos subsequentes as críticas começaram a ser menos duras, com muitos usuários e mídias especializadas apontando que o Unity estava sendo amadurecido e com as novas evoluções, começava a tornar-se um ambiente gráfico interessante.

Com o tempo, o Unity tornou-se confortável para muitos, foi quando chegou em sua versão 7, que sua maturidade já garantia muitos apaixonados por suas funcionalidades.

Mas a Canonical ainda sonhava grande e queria ver seu sistema em um universo que representasse todo e qualquer dispositivo, o Ubuntu já estava sendo desenvolvido para televisores, smartphones e tablets, mas foi com o Unity 8 que a história mudava de conversa. Aqui a Canonical apresentava ao mundo, o conceito de convergência para seu sistema, um único sistema, uma única interface, uma mesma aplicação, compatível com qualquer dispositivo e tela que o Ubuntu estivesse presente.

A idéia de você ter a mesma experiência e continuar usando o seu sistema onde fosse, começou a tornar-se um ponto chave e iniciou-se uma corrida, outras empresas também apresentaram suas propostas, como a Microsoft com o Continuum.

Mas apesar de todas as expectativas criadas, os dispositivos com Ubuntu Mobile chegando ao mercado, a experiência ainda não era completa e o Unity 8 nunca tinha sua versão final entregue para o público, versão após versão, o que tínhamos era sempre um trabalho em desenvolvimento, que não conseguia mostrar sua totalidade. Isso ficava mais evidente quando os usuários olhavam para o proposto pela Microsoft, que mesmo chegando pouco depois, já tinha algo mais concreto e funcional para seus usuários.

Ao final, parece que ainda não era o momento, a idéia de convergência parecia se tornar mais distante e as empresas envolvidas no tema, começaram a desistir, primeiro a Microsoft, depois a Canonical. O mundo mobile pareceu não ser mais alcançável para Mark, que resolveu focar-se em mercados lucrativos para a Canonical, como o de servidores, apontando como as duras e constantes críticas da comunidade como um dos motivos, a empresa resolve desistir por completo da convergência, do mundo mobile e do Unity. Todo o trabalho feito até aquele momento com o Unity 8, simplesmente foi deixado para trás, o Unity é declarado oficialmente como passado e um novo caminho é traçado.

Com isso a Canonical passa a preocupar-se em oferecer uma distribuição focada em desktops, com as funcionalidades e maturidade que a comunidade está pedindo, deixando claro que o Ubuntu já consegue sustentar-se, financeiramente, sozinho e por esse motivo, não corre riscos de ser deixado de lado, enquanto a empresa passa a focar-se nos mercados mais lucrativos para suas operações.

novo Ubuntu
O “novo” Ubuntu

Nesses 13 anos, o Ubuntu trouxe muitas mudanças, novidades e polêmicas para a comunidade Linux e agora pretende continuar suportando seus usuários, com um sistema forte e eficiente, mas será que diante de todo esse histórico, a Canonical vai conseguir não apresentar grandes mudanças em futuros lançamentos? Isso só o tempo dirá…



 

Imagens: Wikimedia

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