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Adeus Unity! Canonical desiste do Unity e volta Ubuntu para o Gnome

Essa semana fomos recebidos por uma noticia que marca o fim de uma era, o fim de um possível futuro imaginado e esperado por alguns e a volta as origens. Estamos falando do anúncio da Canonical que o Unity será abandonado e o Gnome voltará a ser o ambiente gráfico principal de seu sistema operacional.

Em nota, Mark conta que apesar de ser uma dura decisão, a empresa chegou a conclusão que hoje o que lhe dá lucro é a internet das coisas (IOT) e o mercado de servidores, dessa forma o investimento no mercado mobile acaba representando apenas um prejuízo da busca de ícaro.

Por mais que seja triste vermos que a idéia tão promissora de um Ubuntu totalmente convergente, tendo sido inclusive o percussor moderno da idéia que posteriormente fora adotada pela Microsoft e que também não teve sucesso, o mercado mobile foi dominado pelo Android e IOS e os concorrentes parecem não ter espaço de folga para entrarem nesse meio, são enormes nomes que tentaram e fracassaram, tais como o Bada, Meego, Tizen, WebOS, BlackBerry e até mesmo o Windows Phone que apesar de ainda existir de forma timida, 0.2% de mercado, fora deixado de lado pela Microsoft que reconheceu a sua derrocada no mundo mobile.

Com a Canonical não foi diferente, no entanto enquanto a Microsoft resolveu continuar investindo o que foi idealizado para o Windows Phone em sua versão desktop, a Canonical avaliou não ter sentido continuar com os altos custos do desenvolvimento do Unity e optou por reduzir despesas, adotando um ambiente gráfico amplamente aceito pela comunidade e com inúmeros contribuintes em seu desenvolvimento.

É óbvio que a decisão também envolve a priorização do que é lucrativo, por mais que a Canonical seja uma das principais distribuições Linux, com a maior porcentagem desse mercado, seu número é muito maior que o do Windows e não garante uma renda válida a empresa, já que os lucros com o Ubuntu são provindos de doações, compras feitas com a lens do Amazon (Algo que já vinha desativado nas últimas versões do Unity e deixará de existir com a adoção do Gnome) e com a compra de suporte por parte de empresas que optam pelo Ubuntu como sistema operacional para seus funcionários.

Ao mesmo tempo, não seria interessante para a Canonical deixar o mercado de desktops, foi nesse que a empresa fez nome e tornou-se referência para crescer em mercados que hoje tem relevância em sua receita, a IOT e servidores, dessa forma a solução encontrada é voltar as origens, quando o Ubuntu usava o Gnome e ao invés de ter horas de desenvolvimento com a interface gráfica, dedicava-se a ferramentas que deixassem o sistema mais prático, implementações no Kernel e pequenas modificações no ambiente gráfico.

Essa volta as raízes não é algo ruim, pelo contrario, possui seus pontos positivos, o Gnome voltará a ter um nome de peso apoiando o projeto, a Canonical poderá investir em outras coisas e a comunidade continuará contando com uma distribuição conhecida por ser extremamente acessível ao usuário final, sem abrir mão do que o usuário mais hardcore gostaria de encontrar.

O pesar fica apenas pela convergência, que parece ser algo a que o mercado ainda não está preparado, a certeza de que não veremos tão cedo algo diferente de IOS e Android nos celulares e que quase uma década de história do Unity, ficará nas páginas do Linux Centro.

  • Cléber Borges

    A palavra correta é “precursor”

    • Cleber, concordo plenamente contigo. E aproveitando, sobre seu questionamento anterior, aqui a tentativa de encaixe foi a palavra percursor mesmo e não precursor, o que quis abordar é que a Canonical com o Unity foi a que mais percorreu na atualidade, mais tinha investido e imaginado um cenário de mundo convergente. Isso porque a Canonical imaginou o Unity sendo utilizado e convergindo com distintas plataformas, desde dentro do próprio Android, passando entre Ubuntu Phone e grandes telas, até o seu uso em televisores. Se formos olhar pelas idéias e empreitadas da Canonical, ela foi na atualidade a que mais percorreu esse cenário, mas acho que não fui feliz na forma que coloquei e por isso gerei a sua dúvida.

      Mas fico feliz com seu comentário, é sempre bom ver as colocações dos leitores, sugestões e mesmo as correções, pois mostra que vocês leram e mostraram interesse pelo conteúdo publicado. Muito obrigado!

    • E apenas complementando, a Samsung realmente tem grande chance, maiores que a Motorola no passado com o Atrix, a Canonical com o Ubuntu e a Microsoft com o Windows. Porém, também não aposto todas as minhas fichas, pois a Samsung tem a seu favor o mercado, é a líder em dispositivos Android e usa de um sistema recheado de aplicações, no entanto ela ainda vai precisar aplicar e difundir o conceito com qualidade e a Samsung não tem bom histórico com desenvolvimento próprio…

      Existem determinadas tecnologias que entram em hyper, mas que ainda não estão devidamente maduras para conquistarem o mundo, esse é o caso do 3D em televisores, por exemplo, e dessa forma acabam sumindo depois de inúmeras tentativas e ficam guardadas para o futuro.